Espetáculo intermunicipal “Douro, Património de Diversidades” junta as escolas e municípios para comemorar o 24.º aniversário do Alto Douro Vinhateiro como património mundial

A Escola Básica e Secundária de Sernancelhe participou nas comemorações do 24.º aniversário da inscrição do Alto Douro Vinhateiro na lista do Património Mundial da UNESCO que decorreu no teatro Ribeiro Conceição em Lamego no dia 14 de dezembro 2025.

A nossa escola fez-se representar através do Conservatório Regional de Ferreirim e do professor embaixador Mário Rodrigues. O município fez-se representar através do vereador, Eng. Armando Mateus, o coordenador do primeiro ato do espetáculo que envolveu os concelhos de Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono e São João da Pesqueira que levaram um pouco de si, um pouco de nós, mostrando a identidade dos nossos concelhos que, sob o lema Douro a Sul, integraram este projeto unificador.

O projeto “Douro a Sul” nasceu da intenção de destacar e unir a riqueza e a identidade singulares de quatro concelhos (Sernancelhe, Penedono, Moimenta da Beira e São João da Pesqueira) que partilham uma localização geográfica comum: a sul do rio Douro.

Mais do que um simples ponto no mapa, esta posição geográfica partilhada serviu como eixo aglutinador para a valorização de um património cultural e histórico ímpar. A identidade destes territórios foi trabalhada e explorada através de temas específicos que lhes são intrínsecos:

  • Penedono destacou-se pela tradição e artesanato associados à junça, elemento da flora local que moldou a vida e os saberes da sua comunidade.
  • Sernancelhe homenageou a memória e o legado do Padre João Rodrigues, figura histórica de relevo e símbolo da ligação entre o oriente e o ocidente.
  • Moimenta da Beira celebrou a sua ligação profunda a Aquilino Ribeiro e às suas aclamadas “Terras do Demo”, que tão bem descreveram a paisagem e as gentes da região.
  • São João da Pesqueira orgulhou-se do seu estatuto histórico, evidenciado pelo Foral que lhe foi concedido, atestando a sua importância e antiguidade na organização do território duriense.

Ao focar nestes pilares identitários, o tema “Douro a Sul” proporciona uma narrativa coesa que celebra as particularidades de cada concelho, reconhecendo a sua herança e o seu papel fundamental na grande região do Douro.

Esta criação artística juntou cerca de duzentos alunos dos dezanove concelhos do Alto Douro Vinhateiro onde se verificou uma diversidade maravilhosa de arte onde podemos destacar a dança, a música, as leituras, reinterpretação de rituais e a prestigiante atuação do Conservatório de Música de Ferreirim.

O Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego, esteve completamente cheio, ontem, para assinalar as comemorações do 24.º aniversário da inscrição do Alto Douro Vinhateiro na lista do Património Mundial da UNESCO. A CCDR NORTE promoveu o espetáculo “Douro, Património de Diversidades”, uma criação artística que reuniu cerca de duzentos estudantes durienses, com idades entre os 10 e os 18 anos, para dar vida aos bens identitários dos seus concelhos através da dança, música, leituras declamadas e reinterpretação de rituais.

O espetáculo com os 19 municípios durienses, envolveu professores embaixadores e diretores escolares, com coordenação artística de Fábio Timor e Filipe Marado. Cada município trouxe para o palco um elemento identitário: de Alijó, o legado do poeta António Cabral; de Armamar, a paisagem cultural do Douro Vinhateiro; de Carrazeda de Ansiães, o ritual do Pai da Fartura; de Freixo de Espada à Cinta, a seda; de Lamego, os marcos pombalinos; de Mesão Frio, as castanhetas de Barqueiros; de Moimenta da Beira, o património do Demo; de Murça, a Porca de Murça; de Penedono, a junça; de Peso da Régua, os rebuçados; de Sabrosa, a memória de Miguel Torga; de São João da Pesqueira, o foral; de Santa Marta de Penaguião, a trouxa; de Sernancelhe, o Padre João Rodrigues; de Tabuaço, o Mosteiro de São Pedro das Águias; de Tarouca, a Ordem de Cister; de Torre de Moncorvo, o cancioneiro popular; de Vila Nova de Foz Côa, as gravuras rupestres do Vale do Côa; e de Vila Real, o barro preto de Bisalhães.

Mário Rodrigues – professor embaixador da Escola Básica e Secundária de Sernancelhe